A RESISTÊNCIA À INSULINA PROTEGE CONTRA… A INSULINA!

“Pessoal, eu fiz questão de repostar no meu Blog um post do Dr. Jason Fung que traduzi do Blog dele”.

“De forma muito inteligente ele faz uma analogia contando a história de como funciona o mecanismo de resistência à insulina, mostrando que na verdade esse mecanismo é benéfico ao nosso corpo, e que a nossa interpretação sobre isso estava equivocada ao longo de todos esses anos”.

 

Praticamente todos os médicos concordam que a resistência à insulina elevada é muito ruim para a saúde humana, sendo a causa principal do diabetes tipo 2 e da síndrome metabólica. Então, se é tão ruim, por que todos nós a desenvolvemos em primeiro lugar? Como esse processo mal adaptativo pode ser tão onipresente?

A partir de 2015, mais de 50% da população americana tem diabetes ou pré-diabetes. Esta estatística impressionante significa que há mais pessoas nos Estados Unidos com pré-diabetes ou diabetes do que sem ele. É o novo “normal”. Por que se desenvolve tão frequentemente? Deve haver alguma finalidade protetora a ela desde que nossos corpos não são projetados a falhar. Os seres humanos viveram durante milênios antes da moderna epidemia de “diabesidade” (diabetes e obesidade). Como a resistência à insulina pode ser protetora?

Você pode descobrir muitas coisas tomando uma perspectiva diferente. Na bíblia fala “fazei aos outros aquilo que quereis que vos façam.” Uma citação conhecida diz, “antes que você me julgue, anda uma milha em minhas sapatas”. Em ambos os casos, a chave para o sucesso é mudar a perspectiva. Inverter (virar de cabeça para baixo) sua perspectiva, e ver como seus horizontes são imensamente ampliados. Então, vamos olhar para o desenvolvimento da resistência à insulina do ângulo oposto. Não vamos considerar que a resistência à insulina seja ruim, mas sim, que seja boa.

É um fato bem estabelecido que altos níveis de glicose no sangue são prejudiciais. Mas aqui está uma pergunta raramente feita: se o alto nível de glicose é tóxico no sangue, por que não seria também tóxico dentro das células? Como a glicose entra nas células mais rapidamente do que pode ser usada para a energia, ela acumula dentro da célula.

A insulina move a glicose do sangue para as células, mas não a elimina do corpo. Ela simplesmente empurra o excesso de glicose para fora do sangue e força-o para dentro do corpo. Algum lugar. Qualquer lugar. Olhos. Rins. Nervos. Coração.

Vamos considerar uma analogia: todos nós precisamos de comida, mas se há muita sobrando a ponto de não conseguirmos consumi-la, ela simplesmente apodrece. Então essa quantidade de lixo podre precisa ser jogada fora. Movê-la para “debaixo do tapete”, onde está fora da vista. Então, podemos não ser mais capazes de vê-la e fingir que a nossa cozinha ainda é agradável e limpa, mas eventualmente a casa inteira está começando a feder.

A mesma lógica aplica-se à glicose excessiva. Usando medicamentos como a insulina para esconder a glicose do sangue nos tecidos do corpo é, em última análise, destrutivo, uma vez que não pode ser eliminada de forma adequada.

 

Uma viagem à “Vila dos Diabéticos”

Imagine que você vive em uma cidade chamada Vila dos Diabéticos. Como células em nosso corpo, há muitas casas na Rua do Fígado, na Estrada do Rim, e na Avenida Pancreática entre outros. Todo mundo é amigável e normalmente deixa sua porta aberta e desbloqueada. Três vezes ao dia, um caminhão de glicose vem pela rua e o Sr. Insulina oferece um pequeno copo de glicose para cada casa. A vida está indo bem, e todo mundo está feliz.

Mas gradualmente, ao longo do tempo, o Sr. Insulina vem mais e mais vezes. Em vez de três vezes, ele vem seis vezes por dia. Em vez de deixar cair uma xícara de glicose, ele deixa todo o barril cheio. Ele precisa esvaziar o caminhão todas as noites, ou então ele vai perder o emprego. Por um tempo, você guarda o excesso de glicose em sua casa e a vida continua.

Finalmente, sua casa está completamente cheia de glicose, que está começando a apodrecer e deixando a casa fedendo. Como tudo na vida, a dose faz o veneno. Um pouco de glicose é OK, mas muito é tóxico.

Você tenta argumentar com o Sr. Insulina, mas sem sucesso. Cada casa em cada rua está experimentando a mesma situação. Quando esse caminhão de glicose vem pela rua, o Sr. Insulina realmente precisa se livrar deste lixo tóxico. Cada vez que uma porta está aberta, ele joga outro barril de glicose.

Agora, o que você faria? Você fecharia sua porta, é o que você faria! Você gritaria: “Eu não quero essa glicose tóxica! Já tenho muito, e não quero mais.” Você tranca a porta da frente de modo que é difícil para o Sr. Insulina empurrar coisas mais tóxicas em sua casa. Não é uma coisa ruim; é uma coisa boa! Você está simplesmente protegendo sua casa da carga de glicose tóxica do Sr. Insulina. Isso é resistência à insulina!

Um observador externo só veria que o Sr. Insulina está tentando fazer seu trabalho de mover glicose para a casa, mas é incapaz de fazê-lo. Ele pode erroneamente concluir que esta casa é “resistente” à insulina porque a porta está “quebrada” (um paradigma para bloqueada). Mas, na realidade, o problema era que já havia muita glicose no interior.

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O Sr. Insulina está encontrando cada vez maior dificuldade de se livrar de sua carga de glicose e está preocupada pois ele vai ser demitida. Então, ele pede a seus irmãos para ajudá-la. Os irmãos do Sr. Insulina se unem para derrubar a porta para que eles possam deixar barris de glicose em sua casa resistente. Isso funciona, mas só por um tempo, pois você corre para reforçar a sua porta da frente com barras de aço para aumentar a resistência.

Suponha que comemos uma dieta muito alta em açúcar ao longo de muitos anos. Glicose e frutose estão entrando em nosso corpo em excesso, além das nossas necessidades energéticas, estimulando a insulina. A glicose está inundando o fígado, que armazena um pouco da glicose como glicogênio. Quando as reservas de glicogênio estão cheias, o fígado desencadeia a lipogênese de novo e forma gordura. Mas a taxa de produção excede a capacidade do fígado de exportá-lo, então a gordura começa a se acumular no fígado, onde não deveria estar.

A insulina tenta mover a glicose tóxica para o fígado, mas ele também não a quer. As células do fígado tentam se proteger contra essa carga excessiva de glicose aumentando a resistência à insulina. Este é um mecanismo de proteção.

Do que exatamente a resistência à insulina nos protege? Seu próprio nome dá a resposta… da resistência à insulina. É uma reação contra a insulina em excesso. Está nos protegendo da insulina excessiva. A insulina causa resistência à insulina.

Isso desencadeia um ciclo reacionário vicioso, onde a resistência à insulina leva a mais hiperinsulinemia (quantidade de insulina no sangue), levando apenas a uma maior resistência. Mas a causa principal é a hiperinsulinemia, não a resistência à insulina. As células de seus tecidos corporais (coração, nervos, rim, olhos) estão todas ocupadas aumentando sua resistência para se protegerem da insulina. A resistência é apenas uma resposta à hiperinsulinemia.

 

Dr. Endo entra em cena

De volta a Vila do Diabetes, o Sr. Insulina e sua gangue não são capazes de descarregar sua enorme carga de glicose. Todas as portas foram triplamente barradas e guardadas por cães. A glicose está se espalhando pelas ruas. Não sabendo o que fazer, o especialista Dr. Endócrino entra em ação. O Dr. Endo decide que a glicose é realmente tóxica, e as ruas devem ser limpas imediatamente.

Apesar do fato de que há hordas de clãs de Insulina rondando as ruas, Dr. Endo decide que a melhor solução é usar ainda mais insulina! Desde que o Sr. Insulina perdeu a família, Dr. Endo contratou mais homens de confiança para fazer o trabalho. Eles empurram mais glicose tóxica para as casas relutantes, limpando as ruas.

Pelo menos o Dr. Endo não pode mais ver o problema, então ele pode fingir que que o Sr. Insulina está fazendo um ótimo trabalho e dá um tapinha nas próprias costas (pois fica orgulhoso de si mesmo). Veja! As ruas estão agradáveis ​​e limpas. Toda a glicose tóxica foi eliminada. O fato de ter abarrotado todas as casas escapa à sua atenção.

Isso funciona por um curto período de tempo, mas eventualmente, as casas se enchem novamente, e aumenta sua resistência. Mesmo os amigos extras do Sr.  Insulina não podem empurrar mais glicose para dentro. O que o Dr. Endo faz? Livrar-se de um pouco de glicose ao invés de apenas movê-la de lugar? Parar a entrada de glicose na cidade? Dificilmente. Ele só aprendeu uma solução para o problema – dar mais insulina! Para o homem com um martelo, cada problema parece um prego. Ano após ano, a dosagem de insulina aumenta incansavelmente.

O problema central da resistência à insulina tem sido causado por excesso de glicose e insulina. No entanto, a solução atual aceita é prescrever ainda mais insulina, a fim de baixar a glicose no sangue. Em vez de eliminar a glicose, ele simplesmente muda ela de lugar em torno do corpo, para todos os órgãos.

À medida que esses órgãos se enchem de glicose ainda mais, a resistência à insulina aumenta. No entanto, a dose mais elevada de insulina só consegue criar mais resistência à insulina. A dosagem de insulina é incansavelmente aumentada para manter os níveis de glicose no sangue baixos. Mesmo quando o sintoma de glicemia elevada melhora, a doença do diabetes tipo 2 piora. Tomar doses cada vez maiores de insulina só significa que a resistência à insulina está piorando.

O que acontece ao longo do tempo? Todos os nossos órgãos começam a apodrecer de glicose excessiva. A resistência à insulina desenvolve-se precisamente para proteger contra esta carga de glicose tóxica. A razão de a resistência insulínica se desenvolver, universalmente, em todos os órgãos e em todos os povos do mundo é porque é um mecanismo de proteção. É uma coisa boa, não é ruim. O diabetes afeta praticamente todos os tecidos do corpo, porque estamos abarrotando glicose em cada canto e recanto.

 

Um Novo Paradigma

O paradigma da resistência à insulina é um modelo defeituoso de fechadura e chave. A glicose está presa fora da célula e não pode passar pelo portão levando à uma “fome interna” (a célula está precisando de energia e a glicose não entra, apesar de estar disponível, e mais fome é sinalizada para o corpo). Cinquenta anos de devoção a este paradigma falharam completamente. No ínterim, o diabetes aumentou para proporções epidêmicas globais.

Entender a resistência à insulina como um fenômeno de excesso detém enormes implicações de tratamento. Nossa geração atual de medicamentos, incluindo insulina, sulfonilureias e metformina não aborda a fisiopatologia subjacente do diabetes tipo 2. Esses medicamentos, baseados no velho paradigma, foram projetados para inserir a glicose nas células a todo custo.

O principal problema não é a resistência à insulina. Em vez disso, a causa principal é a hiperinsulinemia, forçando a glicose a entrar em cada tecido do corpo. Dar mais insulina a um paciente com insulina excessiva é prejudicial. Estamos inadvertidamente atrapalhando a resistência à insulina de proteger os tecidos.

Como dar álcool a um alcoólatra, a prescrição de insulina em uma doença de insulina excessiva não é uma estratégia vencedora. É exatamente assim que estamos perdendo a guerra contra o diabetes tipo 2. É assim que a antiga doença do diabetes tipo 2 se tornou a praga do século XXI. É porque a nossa compreensão fundamental da doença é falha.

O problema não é a resistência à insulina. É a insulina!

Dr. Jason Fung

 

Ou seja, devemos tratar os problemas sempre indo direto na sua raíz… A resistência à insulina não é o problema, na verdade ela sinaliza o problema, que é o excesso de glicose (açúcar). E se o problema é o excesso de glicose, a solução é nos abstermos dela. Evitem o açúcar e os refinados e industrializados. Por isso estou sempre recomendando: COMAM COMIDA DE VERDADE!!”

 

Link direto para o Blog do Dr. Fung:

https://intensivedietarymanagement.com/insulin-resistance-protects-insulin-t2d-26/